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21 de janeiro de 2014

Por quê nos decepcionamos tanto? - por Patricia Grah



Por quê nos decepcionamos tanto? - por Patricia Grah

A decepção (decepção ou deceção) ou desilusão é o sentimento de insatisfação que surge quando as expectativas sobre algo ou alguém não se concretizam. É semelhante ao arrependimento, mas difere deste na medida em que o arrependimento está focado nas escolhas pessoais que levaram a um resultado negativo, enquanto que a decepção está focada no próprio resultado. (Fonte: Wikpédia).
Algo muito comum nos dias de hoje é nos encontramos constantemente tristes e decepcionados com as pessoas. Ou porque elas são mais difíceis de lidar do que imaginávamos, ou porque elas tem uma personalidade diferente do que imaginávamos, ou porque tomaram alguma atitude que nos entristeceu, ou por qualquer outra razão a qual achamos que justifique nossa desilusão. No entanto, não percebemos que o grande “xis” da questão é justamente este: as pessoas não correspondem às NOSSAS expectativas. Expectativas que NÓS criamos, imaginamos, sonhamos. Pessoas são imprevisíveis e sendo assim, se olharmos para dentro de nós, perceberemos que nem mesmos nós próprios nos conhecemos o bastante para saber como devemos agir, perante o que nós e a sociedade julgamos ser certo ou errado.
E ai, já então outra questão: o que é certo e o que é errado? É, eu sei, isto é tema para outro texto, outro debate e não posso fugir do foco, porém, quando percebemos que o certo e o errado é uma questão bastante complexa e perspectiva, conseguiremos talvez olhar para as pessoas à nossa volta com um pouco mais de compreensão.
Exigimos sempre justificativas, reciprocidade, porém, muitas vezes não percebemos que colhemos somente o que plantamos e se estamos colhendo coisas ruins, e porque em algum determinado momento nós a plantamos, se nosso amor não está sendo recíproco, é porque talvez não estamos amando o bastante.
Paremos de esperar demais das pessoas, porque a partir do momento que passarmos a não esperar nada em troca, tudo o que vier será devidamente reconhecido e quando este momento chegar, finalmente compreenderemos que o amor – e todo o resto – começa somente quando não se espera nada em troca!

12 de abril de 2013

A criança que foste, teria orgulho do adulto que és? - por Patrícia Grah




Eis que me pego fazendo esta pergunta... 

Em nossa infância, muitos de nós sonhávamos e imaginávamos – a partir do nosso conceito de felicidade - que quando adultos seríamos extremamente realizados e bem sucedidos: teríamos uma casinha, saberíamos dirigir e sendo assim poderíamos levar as pessoas para passeios e viagens super divertidas, compraríamos carrinhos de controle dos modelos mais top’s para brincar com nossos filhos, seríamos elegantes por termos um trabalho e escolhermos o que desejássemos para comprar no supermercado e usaríamos a roupa que quiséssemos. 

Porém, ao alcançar este estágio da vida, acabamos por ter aquela sensação de impotência, de a vida não ser “tudo aquilo”. Sentimos que quanto mais nos dedicamos e lutamos por nossos sonhos, mais longe do nosso ideal chegamos. Mas existe uma desculpa, ou melhor, uma explicação para esta insatisfação: crianças são puras e se satisfazem somente com o que realmente importa! Para elas, uma família, um dinheirinho para comprar um doce e um brinquedo de vez em quando basta. Um carinho da mãe ou uma brincadeira com os amigos, um domingo de sol, uma cama quentinha pra dormir até tarde. Coisas que aos nossos olhos, passam despercebidas... 

Escrevo este texto como uma forma de reflexão, pois penso que muitos de nós estamos exigindo muito de nós mesmos, cobrando respostas antes de saber quais são as perguntas, buscando algo sem saber por e pra quê, fixando cada vez mais a busca pela felicidade material, esquecendo-nos da espiritual e deixando de lado o verdadeiro valor da vida. Criamos um mundo onde o trabalho está sendo posto no topo das prioridades – não que não seja essencial em nossas vidas, mas há um limite – deixando para o fim da lista o que seria o primordial, como a família e o amor próprio, deixando que a vaidade e a luxúria gritem o tempo todo em uma busca obsessiva criada por uma ideia fútil de que bens materiais fazem moral ou caráter, não importando se a condição financeira condiz com o sonho de consumo; onde a ganância por dinheiro contradiz os princípios morais, tornando mais importante o lucro financeiro que o espiritual, não prevalecendo nada além disto; onde a mentira e o desejo se sobressaem, criando um paradoxo entre o valor carnal e o familiar; onde a arrogância e a presunção da própria sabedoria tonam cego quem as possui . Tudo isto, somente para satisfazer o ego e mesmo assim permanecer infeliz. 

É preciso sensibilidade e muito trabalho interior, porém, ao deixarmos o exterior de lado, descobriremos que só se sorri de verdade quando se busca de volta aquela criança que viveu dentro de nós. 

Agora volto à pergunta: “A criança que foste, teria orgulho do adulto que és?”

por Patrícia Grah.


12 de março de 2013

Nascemos ou nos tornamos humanos - por Patrícia Grah


*Imagem: Divulgação/Internet.

Foi esta a questão que, no trânsito, levantei outro dia analisando o comportamento de um “humano” à minha frente, o qual irei narrar resumidamente: 

Estávamos em uma rotatória. Em um carro, meu noivo e eu, a nossa frente um segundo carro e frente à este uma moto. Sentido contrário, um outro veículo surge muito rapidamente e corta a frente da moto, que estava na preferência de transitar. Por muito pouco não bate e sabe-se lá Deus que tragédia não teria acontecido se analisada a velocidade do tal carro. 

O motociclista, obviamente muito nervoso e assustado com o acontecido, resmungou alguma coisa e buzinou para aquele ser “humano” que quase acabou com seu dia, sua moto e talvez até... Enfim! Sendo assim, o motorista do carro que além de ter feito uma baita “cagada”, parou, desceu e partiu para cima do homem da moto que, por sorte foi mais ágil e conseguiu sair correndo pelo acostamento. Então aquele “humano” estressado embarcou e saiu queimando, cortando todos pelo acostamento atrás do homem da moto e até hoje fico com medo de imaginar o fim desta história... 

Agora volto à questão: Nascemos ou nos tornamos humanos? 

Muitas são as teorias e muitos os estudiosos que estudaram e defenderam – e defendem - seus pontos de vista perante este aspecto. Confesso que estudei, na época da faculdade, algumas delas, as quais não vem ao caso discutir aqui, mas mesmo concordando com algumas que contradizem a minha conclusão, só posso acreditar que “- Nos tornamos humanos!”. Porém, algumas pessoas, independente da cultura, nível social ou crença, parecem nunca conseguir chegar à este estágio da vida (se tornar um verdadeiro HUMANO), se comportando como animais selvagens que não vivem, apenas lutam pela sobrevivência, não se importando com o próximo e não trabalhando o seu interior para serem alguém melhor! 

Sei que, felizmente, a grande maioria das pessoas que irão ler este texto, são pessoas bastante cultas e sensatas, portanto, jamais agiriam como aquele homem (que nem sequer quis refletir sobre o fato de o errado ser ele próprio, nem pensar que o cidadão da moto deve ter uma família a qual poderia estar vindo do trabalho que a sustenta e que este, quem sabe se tratava de uma pessoa de bem). Mas infelizmente, algumas destas pessoas fariam o mesmo, pois sabemos que aquele acontecimento é somente um pequenino número no percentual de tragédias causadas por falta de tolerância em nosso dia a dia, por pessoas que agem no calor da hora, sem raciocinar, considerando apenas a emoção, e não a razão– infelizmente! 

Que nós todos, por mais que nos consideramos pessoas de bem, paremos de vez em quando, especialmente “no calor da hora” para refletir sobre quem somos, e quem queremos ser! Sendo assim sejamos mais HUMANOS, respeitando o próximo, respirando fundo quando algumas situações fugirem do controle e nos fizerem perder o norte, olhando por outro prisma e não apenas pelo nosso, tratando nosso semelhante como gostaríamos de ser tratados.

por Patrícia Grah.


14 de fevereiro de 2013

Quem você quer ser ao envelhecer? - por Patrícia Grah



A vida passa rápido. Quando se vê já se tem quinze, quando se viu já se tem trinta e é comum nessa passagem de tempo tão brusca, olharmos para trás e ficarmos um tanto insatisfeitos com o rumo que a vida tomou. Casa, carro, emprego e dinheiro são os principais sonhos, e também os principais fatores de insatisfação que nos intrigam com o passar do tempo, pois sempre esperamos e queremos mais. Mas será que estamos fazendo isto certo? 

Ok, precisamos ter objetivos na vida, afinal são eles quem nos dão motivação para vencer as dificuldades, para trabalharmos num emprego em que muitas vezes nem gostamos, que nos fazem ver que a vida vale à pena e nos deixam felizes quando alcançados, mas o que muitas vezes não viemos nos dando conta é que não é somente este tipo de objetivos que devemos traçar em nossas vidas. E o interior, como é que fica? 

Percebemos que estamos vivendo somente o hoje, nos esquecendo de quem/como seremos na velhice, quando não mais pudermos trabalhar com o corpo e nos restará apenas trabalhar a mente. Quando no fim das contas, o espirito e intelectual serão status mais importantes que o material! 

Estamos tão exacerbados e fixados nestes ideais externos, que acabamos abandonando a nós mesmos. Perante isto, de uns anos pra cá tenho me feito algumas perguntas, como por exemplo: “-Quem quero ser no futuro? Que tipo de pessoa eu quero me tornar: sábia e agradável, que leu e estudou muito durante a vida, ou alguém comum, que só saberá falar de coisas comuns? Que modelo de pessoa quero ser para meus filhos e netos?” 

Cobramos uma sociedade melhor e mais culta, com menos politicagem corrupta e menos banalidade, mas para isto acontecer, nós é quem temos que procurar sermos mais “cult’s”! O que não é fácil porque é mais cômodo compartilhar coisas banais à ler algo últil; sentar em frente à TV e deixar as (fúteis) informações chegarem sozinhas até nós ao invés de ter o “trabalho” de ler um livro; ouvir músicas monossílabas as quais não precisamos pensar para entender o que dizem à procurar músicas de qualidade, e por ai vai. 

Então, se eu pudesse dar agora à quem leu até aqui, um bom conselho ou exemplo (longe de mim querer ser parâmetro, mas sei que isto que venho buscando com muito esforço é algo bastante importante e construtivo), eu diria o seguinte: 

  • Leia mais (livros, por favor e não revistas de fofoca); 
  • estude mais; 
  • ouça muita música (de qualidade); 
  • aprenda tocar algum instrumento musical (seja ele qual for); 
  • fale menos ao telefone e pela internet, ao invés disto, procure e marcar de ver os amigos com maior frequência; 
  • vá à shows, peças de teatro ou qualquer atividade que seja relacionada à cultura; 
  • não assista novelas, 
  • e o principal de todos: ao menos que seja para ver um filme, desligue a sua tv! 

"Nao há como fazer uma revolução em larga escala até que haja uma revolução pessoal, a um nível individual. É preciso que aconteça do lado de dentro primeiro."
(Jim Morrison) 


Um abraço!

Patrícia Grah.



24 de janeiro de 2013

Ano novo, tudo novo! E tem gente ai, com os velhos hábitos... - por Patrícia Grah



Não adianta querer “Ano novo, vida nova” se isto não for uma iniciativa que irá partir de dentro de nós. 

Alguém que diz odiar o emprego em que trabalha porque detesta todo mundo, passará a detestar também os colegas de trabalho da outra empresa. Alguém que diz odiar sua vida amorosa no lugar aonde vive, continuará (se) odiando morando na Europa. Alguém que pensa em mudar de cidade para fugir dos cobradores, na cidade seguinte também terá de fugir, pois seu problema não são os cobradores! 

Podemos morar aqui, no Japão ou no Hawaii que nossos problemas serão sempre “nossos problemas” se não trabalharmos nossa espiritualidade para uma mudança significativa em nossas vidas. Mudar é difícil, exige uma disciplina que nos faz ter que mudar de hábitos e opiniões e penso que ainda mais difícil do que isto é ter que ser humilde o bastante para aceitar quando nos percebemos que nós e quem estamos andando fora dos trilhos. 

É por que é fácil demais criticar “a sociedade”, quando esquecemos que fazemos parte dela e que se quisermos enxergar mudanças, será mais fácil convencer as pessoas cm exemplos, do que com palavras! 

Aproveito a oportunidade para compartilhar esta imagem, o qual me deixou bastante motivada à escrever este texto. Um belo pontapé para que possamos refletir sobre onde precisamos mudar para ter a tal “vida nova”.

"Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente, você estará fazendo o impossível."
(São Francisco de Assis)

por Patrícia Grah.


20 de dezembro de 2012

NATAL , ÉPOCA DE OSTENTAÇÃO - POR PATRICIA GRAH

Natal, a época das ostentações!
 Mais um natal que se aproxima e um ano se finda. Data propícia para aquelas manifestações amorosas e calorosas. Nesta época todo mundo quer ser melhor no próximo ano e, principalmente ser mais bem sucedido financeiramente. Acontece que, o mais comum de se ver por ai, são algumas pessoas se endividando com coisas supérfluas, gastando o dinheiro que não tem ou não poderiam, esbanjando horrores para ostentar um status que não é seu. Ai, ao contrário do que sonham – ter dinheiro – já começam o ano cheio de dívidas que não podem pagar e prejudicando o comerciante que contava com aquele dinheiro a receber para poder pagar suas contas. Penso eu, que se queremos mudanças e alcançar algum sonho, devemos começar fazendo somente aquilo que nosso ordenado permite, mas infelizmente vivemos em uma sociedade (e uma cidade) gigantemente capitalista, aonde somos julgados por nossa condição social e financeira, e sendo assim, o status é o mais importante, por isto algumas pessoas não estão nem ai – “Deixa ir pro SPC!”. Confesso que este comportamento fútil e desmoralizado é algo que me deixa bastante insatisfeita com o ser humano. Nada do que eu digo aqui é pessoal. Também vou à praia, compro coisas caras quando posso e presentes nesta época. O que coloco aqui é meu ponto de vista como comerciante, perante o que vejo e já vi acontecer durante anos. Penso eu que quem pode, tem mais é que aproveitar a vida mesmo! Mas devemos usufruir das coisas de acordo com nossas vontades e necessidades, e não querer levar uma vida que não se pode somente para ser engradecidos perante aos olhos da sociedade. Este é meu último texto deste ano aqui no Cabana Cult, e a mensagem que eu gostaria de deixar é a seguinte: “Sempre há tempo de mudar, colocar tudo em dia e ser alguém mais íntegro. Não adianta idealizarmos um futuro brilhante enganando o próximo. Só conseguiremos chegar a algum lugar com muito trabalho honesto, pois nada tem mais valor nesta vida que o nosso caráter e a integridade!
 “ PS: Abração para o Paulico e Vinicius, e à todos os colunistas e leitores do Cabana Cult!
 Feliz natal, cheio de paz e harmonia para todos e um 2013 repleto de realizações.
 Até o próximo ano! Bjus, Pathy Grah

23 de novembro de 2012

UM MINUTO - OU MELHOR - POUCOS DIAS PARA O FIM DO MUNDO, POR PATRICIA GRAH



Um minuto – ou melhor – poucos dias para o “fim do mundo”


Vinte e um de dezembro (fim da era em que vivemos segundo o calendário Maia), está se aproximando, e com ele aquele auê todo se falando em fim do mundo, por todas as redes sociais e por tudo por onde se passa. Pessoas se desesperando, achando até que podem fazer dívidas porque não precisarão pagar depois, e se for como das outras vezes vai ter até gente se matando sozinha.
Se pararmos para pensar não é difícil compreender que o “fim” do mundo está mesmo próximo: guerras, aumento no índice de assaltos, assassinatos, catástrofes, como tsunamis, furacões e outras causadas por fenômenos naturais desencadeados a partir da nossa depredação com o planeta, desigualdade social, fome, miséria e doenças mortais estão presentes em nossas vidas não é de hoje.
Porém, muitas pessoas falam disto - da teoria Maia - mas nem sequer sabem ao certo o que ela diz, e o que é que se quis dizer. É o seguinte: segundo eles, vinte e um de dezembro de 2012 dará fim à mais um ciclo – ou uma era - entre tantos que já se findaram e, perante todo o histórico, todas as profecias por eles escritas sempre deram certo, mas isto não significa que tudo vai acabar.
O mundo está em constante transformação e evolução, estamos em uma era aonde o ser "humano" pode controlar quase tudo o que há no planeta e isto, por exemplo, pode ser entendido como o fim de uma era, aonde Deus vem através de muitos se tornando um mito e a população cada vez mais atada nas mãos de poucos, e estes "poucos", procuram manter esta população bastante ocupada com assuntos fúteis (futebol, novelas e o fim do mundo, por exemplo), para dispersar a atenção e não acompanharmos os problemas sociais que enfrentamos.
 Quanto a isto, há uma luz no fim do túnel, pois existem pessoas que estão antenadas e fazendo sua parte, tentando modificar esta situação e, a meu ver, quem sabe talvez parte desta nova era que está por vir, seja o início à um mundo melhor, com pessoas menos encabrestadas, de mãos atadas e olhos vendados,  se preocupando mais com o planeta, com o próximo e com a vida.
Não exijo que ninguém concorde comigo, eu apenas tento ser otimista.

Este é um dos trechos da profecia Maia para 2012:

"Inicia-se uma nova era e a Terra passa a ajudar na evolução de outras humanidades da terceira
dimensão. "

O que ao certo seria entendido como esta “terceira dimensão”?
Não sabemos exatamente, mas uma coisa é certa: esse papo de o mundo literalmente se esfarelar é bobagem. Quanto ao resto...  Bom, só nos resta pagar pra ver.

Tudo tem início e um fim, 21 de dezembro de 2012 é o fim do calendário Maia, o que certamente dará um fim ao ciclo em que vivemos, nos deixando a mercê do que virá pela frente.

31 de outubro de 2012

TEMPO - POR PATRICIA GRAH

Tempo.
 É engraçada a sensação que temos ao estar num lugar que não é o nosso, mas o bacana disso é podermos observar as pessoas, seus hábitos, culturas e costumes. Gosto de imaginar o que elas pensam, o por que de estarem naquele lugar, naquele momento, fazendo o que estão fazendo. Vou lhes contar um destes meus momentos... “... Olho para o lado e observo uma senhora chiquérrima, usando uma bolsa que custa o equivalente ao salário de um mês do meu trabalho, um relógio de ouro, um anel de pedras caras, um brinco chique, conversando no seu celular top de linha, falando com alguém aparentemente sobre negócios. A conversa durava bastante tempo, o suficiente para eu prestar atenção em outras pessoas e esquecer daquela bonita senhora chique. Olho para o outro lado e observo um senhor, de bastante idade, carregava apenas uma bolsa bem pequena, provavelmente deveria ter despachado outra bolsa maior na bagagem. Fiquei imaginando que aquele senhor, muito quieto e com uma cara tranquila deveria estar indo ou voltando de visitar algum parente. Nosso destino era São Paulo – Joinville, e ele tinha cara de morar em Joinville. Não também sabia explicar por que, mas ele tinha cara. Esqueço do senhor e começo a procurar pelo meu noivo, que saiu para buscar uma água já havia um bom tempo e ainda não tinha voltado. Como toda pessoa neurótica comecei a imaginar que tinham o assaltado, e que por ele ter reagido tinham lhe dado um tiro e por motivo de não causar pânico naquelas milhares de pessoas, ninguém tinha anunciado nada ainda, mas que ele poderia estar morto ou agonizando em algum lugar que ninguém tenha visto! – brincadeira! :D – mas já estava me preocupando, quase à este ponto, quando enfim ele voltou com a água. Um pouco mais de tempo e seria verdade. Começo a observar geral, todo o local onde estou, todo mundo tem muita pressa, são muitas expressões diferentes, mas todas demonstram uma única coisa: estavam atentas aos seus horários! Com isto fiquei pensando que vivemos em um mundo muito populoso, aonde para que as coisas possam funcionar, precisamos estar sempre cumprindo horários, correndo contra o tempo, buscando soluções para todas as coisas e principalmente dependendo de outras pessoas para que possamos sobreviver. É tudo muito corrido, é muita cobrança, é uma luta diária contra o relógio por que o que não podemos é parar no tempo! Volto olhar para a senhora chique, ela continua numa ligação importante, com muita pressa de resolver o que quer que esteja fazendo. Do outro lado, aquele senhor continua calmo e sereno, sem demonstrar pressa nem ansiedade como as outras pessoas. Talvez ele não precise mais correr, porque provavelmente já lutou contra o tempo durante toda sua vida.”

25 de outubro de 2012

SE AS ROUPAS FALASSEM - PATRICIA GRAH



... Era sexta feira de um fim de mês. Conforme planejado, depois de uma longa viagem chego ao meu destino: um local de compras para lojistas. Era um empurra empurra, muita gente, muitas sacolas, muitas lojas cheias de gente entrando e saindo. Começo a olhar as vitrines que mais me chamavam a atenção, à procura de peças que eu imaginasse que fossem agradar os clientes da loja aonde trabalho. Fiquei pensando, o quanto comprar é uma tarefa difícil, afinal temos que imaginar o que as pessoas poderão ou não gostar. Mas como saber do que elas gostarão se nem mesma eu sei bem do que gosto¿ Mas enfim, deixa pra lá. O que me deixou pensativa foi uma questão bastante interessante, ao menos sob o meu ponto de vista: a “vida” das roupas que eu estava comprando! Sim, eu diria “vida”, não porque roupas tenham uma vida propriamente dita, mas perante o processo todo que elas passam ao longo de sua existência. Resumindo: Primeiro, começando lá na fábrica, aonde é feito o fio. A quantidade de pessoas que estão envolvidas neste processo; Depois até este fio virar tecido; Posteriormente até este tecido chegar ao lugar aonde será confeccionada a peça; A peça que, passará pelas mãos de várias costureiras, aonde cada uma executará o trabalho de diferentes processos (pensei no quanto este trabalho serve para sustentar tantas casas, tantas pessoas que dependem delas...) Esta peça que depois de confeccionada, passa pelas mãos de várias pessoas, que chega nas mãos do lojista o qual eu a comprei. Chegando na loja onde trabalho, existe todo aquele processo em que temos que convencer nossos clientes à comprar tal peça. Ok, todo mundo sabe disto, mas muita gente nunca parou para pensar nisso, não é¿ Agora, o mais interessante disto tudo, é o que acontece depois. Se tivéssemos como registrar, somente por um curto período de tempo o que acontecerá com aquela roupa que eu comprei e depois revendi... Quantas risadas aquela roupa ouviu, quantos elogios. Quantos lugares aquela roupa conheceu, quantas pessoas, quantas festas, quantos dias de tristeza... Quantas decisões foram tomadas usando aquela peça, quantas vezes ela viajou dentro de uma mala, quantos dias lindos de sol ela apreciou... Quanta saudade ela acompanhou, quanta comida a sujou, quantas coisas... Quantas historias teria uma roupa pra contar, se tivesse uma vida pra viver!

4 de outubro de 2012

Olhe pra trás e ai sim, siga em frente! - por Patrícia Grah


Poucas são as pessoas que olham suas próprias fotos antigas e percebem que não mudaram, ou que mudaram muito pouco. Pode ser a cor do cabelo ou comprimento, o aumento de peso, o modo de se vestir, as amizades, o antigo carro ou a antiga casa. O certo é que muitas coisas sempre mudaram e sempre mudarão. 

Assim como a aparência, é certo que nossa personalidade, nossos gostos, nossos sonhos também mudam e vão se moldando com o passar do tempo. Todos nós somos frutos de nossas escolhas e é comum que muitas delas não deem certo. Não é raro que depois de muitas desilusões e decepções, decidirmos “apagar o passado”, porque assim sofreremos menos e assim também teremos aquela sensação de que “não foi eu quem fez isto, “foi a pessoa que eu era”. 

Dói menos, mas desta forma estamos apenas mentindo para nós mesmos, e ai? Se somos frutos das nossas escolhas, devemos agradecer ao nosso passado por ter nos mostrado o que é bom e certo para nosso bem estar e felicidade. 

Sabe, eu mesma já me crucifiquei demais, já me cobrei demais, mas não, não sejamos assim! A questão é que é muito mais fácil olhar pra trás agora e se arrepender do que você sabe que não deu certo, do que no momento em que você tomou as decisões sem saber à qual rumo iriam te levar. Devemos nos libertar do nosso passado buscando não repetir os mesmos erros também buscando conhecer novos horizontes, mas sem aquela sensação de culpa, sem aquele medo de olhar pra trás. Dane-se o que/quem não deu certo. 
Porque uma pessoa de coragem precisa primeiramente não ter medo de conhecer a si mesma!



19 de setembro de 2012

Estado civil: Quebrando paradigmas! - por Patrícia Grah



Muitas pessoas dizem não saber serem felizes sozinhas, outras não trocam a vida de solteiras por nada nesse mundo e fogem de um compromisso igual o diabo da cruz. Tem gente que pira somente com a ideia de chegar aos vinte e cinco solteiro, porque por imposição e cobranças da família e dos amigos isto é algo inaceitável, ai acaba casando com o primeiro ou a primeira pessoa que aparece. Porque é melhor estar com alguém e ser infeliz do que “ficar pra titia”. É o fim da picada! 

Abrimos nossas redes sociais e é um tal de compartilhamentos de frases aonde solteiros se mostram extremos felizes, e casais (que bem no fundo se matam brigando), declaram amor eterno. Tudo para mostrar para aos outros que são um exemplo de pessoa, e que o seu “status de relacionamento” é a melhor opção. Bem no fundo, aquelas comemorações com a sexta feira em posts revelando aonde será a balada da night, muitas vezes – eu disse muitas vezes - são apenas camuflagem para os solteiros que fingem ser felizes atraírem para o mesmo local algumas pessoas que possam vir a ser seus pares. 

Tudo isso pra quê? Porque a inquisidora sociedade impõe que para sermos felizes precisamos de outrem, casar aos dezoito, fazer uma festa de arromba e começar a ter filhos aos vinte. Depois que você passa desta etapa, começam as perguntas sobre os netos e assim sucessivamente as cobranças nunca param. 

Hoje em dia com as redes sociais, todos estão por dentro do nosso estado civil, e se for pra ser solteiro, que seja apenas para continuar a frustrante busca pela “alma gêmea”, porque “é impossível ser feliz sozinho (a)!” 

Tá na hora de percebermos de uma vez, que fazer alguém feliz é algo involuntário – você fará feliz se também for feliz! Antes de tudo, tem que vir de você! 

Não importa se você chegar aos cinquenta sozinho, talvez tenha muito mais bagagem do que aqueles que se casaram aos dezoito! Ser solteiro/sozinho, não faz de você uma pessoa desprovida de beleza e nem “menor” do que aquelas que encontraram “alguém bacana” pra compartilhar as coisas boas e ruins da vida. 

O negócio é não fingir. Ser feliz consigo mesmo acima de tudo, ou cair fora se a coisa não for do jeito que você curte, afinal a vida é mesmo uma sucessão de casos/fatos/pessoas, que vem e vão, e é somente dentro de nós mesmos que encontraremos a resposta do que é melhor para nossas vidas, e não seguindo essas regras bobas que a sociedade impõe desde os primórdios, porque os tempos mudaram! 

Amar é lindo, é gostoso e quando encontramos alguém que nos completa não queremos jamais pensar na hipótese de ficar sozinhos. Então, se você se comprometeu com alguém, cuide, ame, se doe e principalmente compreenda que esta escolha – de ter um compromisso - tem que ser SUA, vir de você! 

Se você não tem, desfrute deste tempo para se auto descobrir e pense em quantas coisas boas você pode viver até encontrar “a pessoa bacana”. 

Libertamo-nos destes paradigmas, para assim nos encontrarmos!






6 de setembro de 2012

Voltando ao passado - A Casinha - por Patrícia Grah



Era um lindo dia de inverno. O sol brilhava e aquecia, dando a sensação de verão, não fosse o vento gelado. Como era fim de tarde, formou-se uma visão magnífica, o sol gigante se punha atrás da montanha. 

Viajávamos por uma estrada muito conhecida pelo número de mortes que acontecem ali, apesar de ser algo preocupante, isto não mexeu comigo, o que mexeu foi algo que ninguém mais no carro reparou: uma velha casa abandonada. 

Lugares abandonados, de um modo geral sempre balançam a minha imaginação, bem como as casas perto da lagoa de Barra Velha. Fico balançada toda vez que passo ali, me fazendo as mesmas perguntas que me fiz ao ver esta casinha. 

Mas aquela ali foi mais especial. Era uma casa bastante humilde, antiga e convencional para a época. Retangular, poucas janelas, uma porta de entrada bem simples, sem pintura, sua cor já não era mais cinza como é o cimento, e sim marrom, como é a poeira. 

Um pequeno córrego passa entre a casinha e o asfalto, impedindo o acesso até ela. Intrigou-me este fato e fiquei pensando qual seria o motivo de terem a abandonado. “Certamente aquela casinha carrega muitas histórias [...]”, pensei. 

Desde criança, ao desenhar uma casa, estas eram as características que eu costumava destacar em meus desenhos, exceto a sujeira. Mas sempre havia o sol, as árvores e uma casinha convencional, com uma porta e duas janelas – idêntica à da beira da estrada. 

Vendo esta cena, não pude deixar de retornar à minha infância, aonde a simplicidade reinava absoluta, não somente pelo fato de não saber desenhar, mas também de acreditar que era numa simples casinha, junto aos meus, que se resumia a felicidade. 

Eu não tinha nenhum aparelho eletrônico, exceto mini games e bonecas que choravam ao tirar o bico. Eu não tinha celular e nem computador, mas tinha um karaokê da XUXA aonde eu me gravava cantando. Brincava com as crianças vizinhas na rua até o cair da noite. Tenho cicatrizes nos joelhos que mostram o quanto fui feliz. 

O tempo passa e vamos perdendo certos valores – construindo outros. Mas por quê é que aquela casinha no pé da montanha deixou de ser encantadora, dando lugar à muitas ostentações e superfluidades que nos são enfiadas de goela a baixo juntamente ao capitalismo¿ 

Crianças não querem dinheiro, não querem ostentações. Para elas, no meu tempo, FELICIDADE poderia ser uma tarde ensolarada brincando no pé de árvore. Era roubar fruta no terreno vizinho, sentir o cheiro de pão fresco que a mãe / vó assava e esperar ansiosamente que ele esfriasse para comer uma fatia com margarina barata. Era esperar o natal com um frio na barriga, imaginando qual boneca ganharia e como seria o passeio na casa dos parentes. 

E hoje, somos felizes fazendo isto¿ 

Penso que para termos um mundo mais humano, é preciso de vez em quando resgatar a criança que há dentro de cada um de nós, igual ao tempo em que desenhávamos a nossa casinha...



30 de julho de 2012

Fanatismo e Alienação - por Patrícia Grah



Como dizem meus pais: "Tudo o que é demais é veneno". Frase curta e certeira. 

Vivemos em um mundo super populoso, onde cada vez mais pessoas procuram encontrar o seu lugar. Estar em um mundo grande, de população numerosa pode ser mais prático, mais fácil, pois sempre haverão aquelas pessoas indignadas e insatisfeitas que irão tentar revolucionar, tentando resolver os problemas da sociedade. Então, no ápice do sedentarismo do homo-sapiens, que muitas vezes nem sabe que é, e o que é sapiens, acha que é gostoso sentar a bunda no sofá e mudar de canal ou de conversa quando o assunto é política, corrupção, ou até mesmo a própria alienação. 

“Afinal de contas, pensar e discutir são duas coisas que dão muito trabalho, então, por quê é que vou perder meu tempo, se há alguém (que se importe) que pode fazer isto por mim? Ah, deixa pra lá...!” 

Outro câncer da sociedade é o fanatismo. Enquanto uns de nós não se importam e não se mexem, outros, talvez até por também fazerem parte dos alienados, não tem discernimento para saber o que é o "meio termo", e sendo assim, acreditam cegamente em certos deuses, e não bastasse isto, carregam consigo a ideia fixa de que todas as demais pessoas precisam pensar da mesma forma. Religião e política é um belo exemplo disto. 

Que fique bem claro: não sou contra nenhuma igreja, nenhuma crença ou opinião. Penso que cada um é livre para acreditar naquilo que lhe convém, até mesmo porque já frequentei várias igrejas e então, o que digo é embasado no que vi/vivenciei. Sou sim, contra o excesso, contra o preconceito sem conhecimento e o irracionalismo, aonde cria-se um paradigma, embasado na opinião de outra pessoa, a qual julgam ser o seu superior (um pastor, padre ou um líder político, por exemplo), e levam aquilo tão a sério, como sendo sua verdade absoluta, obcecados por um medo de viver tão grande que são capazes de abrir mão dos maiores, mais sublimes e inofensivos prazeres da vida, em troca de algo que não sabem ao certo o que é. 

Já fui à igreja buscando algo que me faltava, mas não sabia aonde encontrar e penso que é o que faz a maioria das pessoas, quando na verdade, levamos algum tempo para perceber que não basta tão e somente ir à igreja, pois esse deus que buscamos, na verdade está dentro de nós, é só se auto conhecendo que conseguiremos encontrá-lo. 

Esta busca deve ser constante, diária e profunda, mas muitos não se dão este deleite de se auto descobrir, porque são fixadas à ideia de apenas obedecer e temer. Vejo exemplos de pessoas maravilhosas e inteligentes, mas que são infelizes por viverem isoladas num mundo onde nem elas mesmas são capazes de se auto compreender, por não se darem a oportunidade de buscar no fundo do seu ser respostas para as perguntas, que por medo de algo que não sabem o que é, não se dão a conveniência de fazê-las. Que tomam decisões precipitadas e sem certeza, por serem cobradas, seguindo exemplos que nem concordam, só sabem, sem saber por quê, que tem de serem seguidos. 

Que mundo é este e que crença é esta que faz com que as pessoas tenham medo o tempo todo, até de viver a vida, mesmo sem praticar o mal, mas julgando-se sempre errantes, o que as torna incapazes de serem realmente felizes? 

Que mundo é este em que nos deixamos "ser pensadas por outros", por medo, vergonha ou comodismo? 

Considerando... 

Como já dizia um amigo meu: “- O fanático nada mais é do que um fã perigoso, um invejoso que acaba por atraiçoar o seu deus”. 

Iremos à igreja, discutiremos nossa política, elevaremos nossos ideais, mas sem sermos manipulados e buscando evoluir , sempre! 

Um abraço especial ao querido amigo Sílvio Boppré, que foi quem sugeriu este tema. 

Queijos


20 de julho de 2012

As redes sociais e a estagnação do pensar - por Patrícia Grah



Em 2004 fiz um Orkut. Uma rede social com a qual conheci muitas pessoas. Era maravilhoso, aquilo parecia ser um trampolim para te levar à outro mundo. Eu tinha poucos amigos e não tinha paciência de “explicar o que era Orkut” quando eu perguntava se alguém o tinha. Os anos foram passando e foi virando uma palhaçada. Você abria sua página de recados e era só uma infestação de frases de auto-ajuda e bonecos piscando, todo mundo compartilhando abobrinhas e etc. Tinha seu lado bom, mas o lado ruim começou a prevalecer e em 2009 migrei para o Facebook.
Minha nossa, que maravilha era aquilo! Poucas pessoas o tinham, quem escrevia, escrevia por si, e as atualizações eram apenas fotos pessoais, pensamentos e coisas com cabimento. Mas ai, todo o povo do Orkut, assim como eu, descobriu o facebook. Bastaram-se dois anos para popularizá-lo e as duas redes sociais se igualarem.
Está muito chato! Ninguém mais pensa por si porque compartilhar é bem mais fácil. Você entra na esperança de ler algo interessante, de ficar sabendo da programação dos eventos da cidade, de trocar recados ou um papo com seus amigos, mas só o que se vê é aquela infestação de imagens de crianças com um texto de auto-ajuda, de pessoas que nunca vão à igreja de pagando de religiosas, (algumas bem safadas, por sinal) postando trechos bíblicos, achando que desta forma irão adquirir uma moral satisfatória. No frio, todo mundo reclama e fala do frio, no calor, reclamam do calor. Sem deixar de citar aquela mesmice da maioria reclamando da segunda feira, ao invés de agradecer à Deus por ter um trabalho, e quando é terça e quarta reclamando porque “ainda falta muito” pra chegar a sexta, e quando é quinta dizendo que “falta pouco”, e sexta, aff, sexta nem se fala, né? (Ainda bem que eles avisam! Porque eu ainda não decorei a ordem dos dias da semana).
Sabe, um ou outro, vá, lá! Mas é somente disso que se fala ultimamente, salvo raras exceções, porque é claro, tem muita coisa útil e muita gente cabeça escrevendo à todo instante.
Não falo somente por mim, mas por todo mundo que tenho conversado. Esses dias postei algo referente à este tema e em seguida minha time line estava repleta de indiretas do tipo: “Os incomodados que se retirem”.  Okay! Mas eu já me retirei uma vez, lá do Orkut, agora, vou sair daqui e vou pra onde até “eles” aparecerem?
Sabe, eu não quero que as pessoas se ofendam, mesmo porque são muitas as pessoas as quais eu gosto, tenho carinho que talvez vão se “queimar” ao ler isto, mas o que eu quero enfatizar aqui é que devemos pensar! Colocar mesmo a cabeça pra funcionar e não ficar apenas compartilhando besteiras e idéias de outras pessoas, não só no facebook, mas no nosso dia a dia. É muita preguiça e comodismo rolando e assim ninguém cresce...
Temos uma ferramenta de grande poder nas mãos - a liberdade de expressão – e esta deve e precisa ser usada! Vamos aproveitar disto para expor nossos pensamentos e opiniões, por mais que as vezes não tenham sentido para alguns, mas autenticidade é fundamental.

Afinal, como já dizia o filósofo:
“ – Quem não pensa é pensado pelos outros!”

E isso, ninguém quer, não é?
Liberdade de expressão, essa é a minha opinião.

Queijos,

Pathy

13 de julho de 2012

É tudo culpa dos meus pais - por Patrícia Grah



Desde pequena eu sempre gostei de cantar. Se procurarmos bem aqui em casa, quem sabe encontraremos uma fita K7, aonde com uns 6 anos eu cantava “Sonho de amor”, da Patricia Marx, recentemente regravada por Zezé e Luciano. Meus pais nos deram um violão e um mini acordeon, mas na época, eu e minha irmã não nos empenhamos muito em aprender a tocar.

Tenho na família vários músicos, uns por profissão, outros por hobby, então talvez seja por isto que tenho esse amor pela música correndo entre as veias. Meu pai, na viola é o meu ídolo, ele vai ficar encabulado quando ler isso, mas eu o acho muito fera. Desde que me conheço por gente é que o vejo tocar violão, todos os dias, várias horas por dia. É uma coisa tão comum na minha casa que às vezes, gente já nem percebe. Mas ele nunca pára sempre acha que sabe pouco e treina mais, e mais... Toca viola caipira e um violão doze cordas que é uma maravilha. Minha mãe não toca, mas aprecia e apóia sempre. Tem também meu tio, Porto Carreiro, famoso por vários lugares de todo o Brasil, além de agitar todos os anos a Festa do Pinhão, esse volta e meia nos reunirmos e festa está feita. Os demais tios que já tiveram muitas bandas, mas hoje só tocam nas festas da família, mas como se pode perceber, estar entre eles, tocando e cantando, pra mim é a concretização da felicidade.

Foi assim a minha infância, cheia de música, cheia de sertanejos cantados pelo meu pai e meus tios e também os sons que meu pai ouvia em casa. É por isso que quando tocam as “caipirosas” eu canto junto e todo mundo se espanta por eu saber as letras.

Mas e o gosto por rock, de onde veio? Tudo culpa do Sr. Antônio...

Ele é total sertanejo raiz, mas também curte um bom rock antigo. “Foi ele quem comprou uns CD’s, lá por 1995, quando recém tinham popularizado esses ‘discos compactos”, e eu os guardo até hoje. Um deles tinha duas caras muito estranhas feitas de lata. Eu sempre olhava aquilo e não conseguia compreender o que poderia ser e achava engraçado. Mas algo me chamava atenção naquele disco estranho. O encarte tinha umas pessoas correndo com uns panos grandes que se entortavam com o vento, uma luva de boxe e um cara afogado na praia. Eu não conseguia entender o que aquilo tinha haver e com o quê, mas achava bacana, pois gostava do encarte e também de algumas músicas. Outras eu achava estranhas, demoravam muito a começar, mas eu ouvia mesmo assim, em especial a faixa sete e a dez, repetidamente. O tal CD era o recém lançado “The division Bell”, do Pink Floyd. Além dele tinha um dos Stones, eu os achava meio “bixas”, assim como o Freddye Mercury, o qual eu achava que (ele) se chamava “Queen”, mas era divertido. Tinha outro do Bon Jovi, o Cross Road, e um do Bryan Adams. Tinha também o adorado “Those broken heart rock”. Me amarrei nas músicas do U2, Queen, The Cure e Scorpions. Ouvia “Wind of change” repetidamente até aprender assoviar sua introdução corretamente. Então por já estar enjoada demais das minhas fitas da Sandy e Jr, Xuxa, Eliana e por ai vai, acabei por aposentá-las. Eu tinha dez anos, e esse foi meu primeiro contato com o rock.

Mas não foi só isso. Meus primos, mais velhos, eram viciados em Raul Seixas e também em Pink Floyd. Eles tinham um quadro do Raul que eu chamava de “quadro do bruxo”. Comecei a achar que aquilo que eu estava conhecendo era “legal” e comecei a fussar nos cd’s deles, pra ver o que mais poderia ser “legal”, e gostei também de uma banda que tocava “Envelheço na cidade”, então eu dizia que era “fã” de Ira!

Daí em diante, fui conhecendo novas bandas e a que mais marcou minha adolescência foi Guns. Meu, que fase! Eu tinha um FLOG, nos tempos do ICQ e da internet discada (bons tempos, exceto pela internet discada), aonde eu me nomeava de “Slash Girl”. Fiz boas amizades, algumas cultivo até hoje. (Nessa época aprendi assoviar a introdução de Patience), se é que vem ao caso.

Meu pai também me “apresentou” a música clássica, algo que tenho paixão também. Meus olhos brilham assistindo um concerto. Quer ver essas ópera-rock, Jesus! A gente sempre assiste juntos.

Minha mãe é o coração da casa. Ela não gosta taaaanto assim de música, mas gosta de cantar e de ver a gente fazendo, capiche? Ela dá muito apoio e mesmo quando eu toco uma nota toda fora, ela diz: “- Nossa, continue assim, você está melhorando!” e nunca achou que fosse desperdício gastar dinheiro fazendo aula de música, ao contrário de muitas mães por ai.

Por fim, quero ressaltar é que foram meus pais que me fizeram ser quem sou, gostar do que gosto, sempre prezando pela qualidade. Quando pequena, eles me colocaram nas aulas de flauta e teclado e eu, por impaciência, desisti depois de um tempo. Comecei violão várias vezes e também desisti porque eu não tinha a cabeça que tenho hoje. É que eu pensava que as coisas tinham que acontecer de uma hora pra outra, queria aprender em dois dias. Mas hoje eu aprendi a ser paciente e compreensiva. Sei que tenho muito à aprender, mas eu não ligo, não me importo mais com o tempo, e sim com o meu objetivo:

“Vou persistir, para um dia ser igual ao meu pai!”.

Ganhei do meu noivo um DVD do Scorpions com a orquestra de Berlim, o qual assisti com meu pai esta semana. Super recomendo, é um espetáculo de arte!

Termino com um vídeo deste show. Nem precisa olhar o nome da música, né?

Queijos,
Pathy.



por Patrícia Grah.